Brasil tem potencial de ampliar o uso de resíduos para gerar energia

PRESS RELEASE

BRASIL TEM POTENCIAL DE AMPLIAR O USO DE RESíDUOS PARA GERAR ENERGIA

Sobratema

 

Nesta quarta-feira, na programação da BW Expo, Summit e Digital, estão ocorrendo palestras e workshops sobre água, resíduos, agronegócio sustentável, economia circular e hidrogênio

O Brasil tem um grande potencial do uso de resíduos para a geração de energia. Em 2018, apenas 1 milhão de toneladas de resíduos foram aplicados para esse fim e, basicamente, na indústria cimenteira. “É um número muito pequeno, que nos coloca muito atrás de diversas nações, até mesmo, de alguns países da África e da Ásia”, disse o engenheiro Francisco Leme, CEO da W4 Resources, durante palestra na BW Expo, Summit e Digital 2020, que é realizada digitalmente até amanhã, dia 19. Para participar do evento ou rever as apresentações, basta clicar aqui.

Segundo Leme, o país pode chegar a 55 milhões de toneladas de resíduos por ano para geração de energia daqui a duas ou três décadas, uma vez que diversos movimentos estão sendo feitos para essa finalidade, juntamente com as novas legislações, como o marco regulatório do saneamento. “Com isso, teríamos a geração anual de mais de 15 milhões de toneladas de combustível derivado de resíduos (CDR), dos quais menos de 30% estaria na indústria cimenteira”. Entretanto, para alcançar esses números será preciso instalar em torno de 300 plantas de preparo de CDR, com investimento estimado de US$ 800 milhões.

A utilização de resíduos para a geração de energia traz, de acordo com o engenheiro, benefícios econômicos, ambientais e sociais, incluindo a substituição de combustíveis fósseis –  mais de 10 milhões de tonelada/dia de carvão mineral ou mais de 6 milhões de tonelada/ano de petcoque -, redução das emissões de gases de efeito estufa e da contaminação de lençóis freáticos, melhoria considerável do saneamento básico e aumento da reciclagem. Como mais de 80% dos 55 milhões de toneladas de resíduos precisarão de tratamento prévio, estimularia também a criação de novos empregos e geração de renda.

Crise Hídrica

A segunda etapa do Workshop Crise Hídrica – Mito ou Realidade?, promovido pela curadora do Núcleo Conservação de Recursos Hídricos, Ana Luiza Fávaro, bióloga e sócia-fundadora da Acqua Expert Engenharia Ambiental, foi aberta por Marcelo Bueno, gerente regional – membrane technology da Toray do Brasil, que explicou que existem diversas formas de escassez da água. Em algumas regiões, como no Oriente Médio, ela é absoluta, mas na maioria dos países, ela é relativa, o que demanda um deslocamento do recurso natural até o local da escassez. “A partir daí, cria-se um novo problema, porque a água vem de outras regiões, mas a geração do esgoto é local, o que exige tratamento eficiente. Quando isso não acontece, pode haver a contaminação da fonte da água”, explicou.

Eduardo Pacheco, diretor do portal Tratamento de Água, comentou dois pontos bastante discutidos na área da conservação de recursos hídricos. O primeiro é o desperdício, cujas perdas podem chegar a 35%. “Reduzir perdas é uma questão de manutenção, ou seja, é preciso aumentar a eficiência dessa atividade. Além disso, temos que lembrar que não está fácil tratar e arrumar água bruta”. O segundo trata-se do reuso. “Já que estamos fazendo o reuso de forma não controlado, deveríamos realizar o reuso do efluente controlado, que pode alcançar um nível de qualidade muito bom ao usar as técnicas adequadas”, disse. Nesse sentido, um exemplo é a Aquapolo, que fornece água de reuso para o Polo Petroquímico da Região do ABC Paulista.

Para o engenheiro sanitarista João Rosa, sócio-fundador da Acqua Expert, o projeto Aquapolo foi viabilizado economicamente devido à poluição do Rio Tamanduateí, mas é necessário que haja políticas públicas que incentivem esse tipo de tecnologia e reutilização. Isso porque, na época, a água de reuso ficava mais cara que a água potável. “Chegava a ser até ofensivo ver a água tratada sendo jogada porque a produção era maior do que o que eles conseguiam vender”.

Após o Workshop, a Erika Mota, gerente de Cidades da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), concedeu seu depoimento sobre enchentes nas grandes cidades, no qual existem soluções de manejo da água para que a chuva infiltre no local onde cai. Além disso, ela comentou sobre a importância de disseminar e conhecer essas soluções e capacitar técnicos e profissionais para aplica-las em obras.

Resíduos da Construção e Demolição

Também participou com seu depoimento o professor Manuel Carlos Reis Martins, da Fundação Vanzolini, que ressaltou a importância da sustentabilidade no setor da construção. A certificação AQUA-HQE já conta com 600  edifícios certificados, o que representa 13 milhões de metros quadrados de área. “A sustentabilidade é uma questão de inteligência, de definição do produto e de busca de soluções tanto do ponto de vista técnico e como do econômico. Qualquer tipo de empreendimento pode atender os critérios da certificação”, disse.

No Núcleo Reciclagem de Resíduos na Construção, o curador Hewerton Bartoli, presidente da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), trouxe um panorama da reciclagem de resíduos da construção e demolição no Brasil (RCD), apontando alguns dos principais desafios locais. “Entre 50 a 70% resíduos das cidades são oriundos da construção. Se tudo fosse reciclado, seria possível construir dois mil estádios do maracanã por ano”, analisou. Mas o setor evoluiu nesses últimos 10 anos, quando nada era reciclado para o percentual de 5% de reciclagem. Além disso, quando a Abrecon foi fundada, havia 100 recicladores e, hoje, são 400.

Bartoli explicou que é preciso ampliar a visão no setor. “O poder público precisa ver que o entulho é qualidade de vida e saúde, divulgando informações sobre o descare correto. Já os geradores precisam ter mais consciência de que são parte de um coletivo e que precisam colaborar com a cidade. Enquanto, os transportadores são agentes importantíssimos para que o RCD chegue ao local adequado e, por fim, o destinatário precisa valorizar mais o resíduo e todo o ciclo da sustentabilidade”.

Resumindo, o curador do Núcleo, ponderou que o ideal seria um Plano que englobe todos os atores, como por exemplo, condicionar o alvará da obra ao plano de resíduos. “Sem dúvida que a realidade de cada município é distinta e existem desafios locais. Mas, existem municípios pioneiros nessa questão”. Jundiaí (SP), tinha mais de 1000 pontos viciados de descarte irregular de RCD e há 10 aos trouxe a conscientização do descarte correto e a concessão com a iniciativa privada. “Foi uma mudança fundamental para a cidade, porque o entulho vira produto para obra, que beneficia toda a região”, afirmou Bartoli.

Outro assunto abordado foi a reciclagem de resíduos de serviços de concretagem e artefatos de concreto. Luciano Mandinga, gerente de Concreto e Materiais da Guarani, ressaltou que havia uma perda de 3% de materiais na produção do concreto, elevando o custo da operação. Contudo, o problema foi sanado por meio da reciclagem. Atualmente, a fábrica produz 1000 a 1200 guias por dia com o uso desse agregado.

É importante lembrar que a norma técnica brasileira define que o reciclado pode ser aplicado para fabricação de concretos não estruturais. “Uma atualização da norma está sendo redigida, que possibilitará usar os agregados reciclados também para concretos estruturais”, contou Mandinga, que acrescentou que ainda não há previsão de publicação dessa atualização.

A reciclagem de resíduos de serviços de concretagem e artefatos de concreto é um mercado promissor para Mandinga, porque além da redução de custos e otimização de materiais, promove a logística reversa no setor.

Totalmente virtual, com transmissão pelo site oficial, a BW conta com mais de 100 horas de conteúdo, atividades interativas, ações de relacionamento e de negócios e exposição de produtos, serviços e tecnologias. A programação tem palestras, webinars e debates relacionados ao nove Núcleos Temáticos: Agronegócio Sustentável, Conservação de Recursos Hídricos, Construção Sustentável, Economia Circular, Reciclagem de Resíduos na Construção, Resíduos Sólidos, Transformação Energética – Hidrogênio, Valorização de Áreas Degradadas e Waste-to-Energy.

 

Serviço

BW Expo, Summit e Digital 2020

Data: 17 a 19 de novembro

Horário: a partir das 14h00

Informações, inscrições e programaçãowww.bwexpo.com.br

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Engenheiro Francisco Leme, CEO da W4 Resources, falou sobre o mercado de combustível derivado de resíduos (CDR) na BW Expo, Summit e Digital 2020
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Crédito foto: Divulgação
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